Métodos de avaliação de Composição Corporal

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A composição corporal é uma das variáveis mais avaliadas durante períodos de treinamento por ser uma preocupação de todos os praticantes, desde os que gostariam de reduzir gordura corporal, os que gostariam de manter a composição e para hipertrofia.

Apesar de fazer parte da rotina especialmente de profissionais de educação física e nutrição esportiva, alguns detalhes podem interferir no resultado da avaliação. Dessa forma destacamos alguns cuidados que devem ser tomados para uma avaliação precisa, segundo Heyward e Stolarczyk (1996):

  • Avaliador: A falta de experiência do avaliador pode ocasionar alterações elevadas nos resultados de uma avaliação.
  • Aparelho: A calibração do aparelho é de suma importância para a precisão da medida.
  • Avaliado: O avaliado deve seguir adequadamente as recomendações pré-avaliação.
  • Equações: A escolha correta de equações é determinante, equações não validadas ou para populações diferentes da avaliada alteram completamente os resultados.

Abaixo destacaremos os principais métodos de avaliação da composição corporal:

Método Direto: A dissecação de cadáveres é a única metodologia considerada direta; com esse método ocorre a separação dos diversos componentes do corpo humano com a finalidade de pesar e estabelecer relações entre eles e o peso corporal. Por se tratar de examinar cadáveres, o método é raramente citado. Entretanto, cabe citar dois estudos que se utilizaram da metodologia direta, o de MATIEGKA (1921) e o de DRINKWATER et al (1984).

Métodos Indiretos

Pesagem hidrostática

A pesagem hidrostática é considerada padrão outro na análise da composição corporal. Nesse método é considerado que o corpo é dividido em dois componentes, sendo eles: massa de gordura e massa livre de gordura (LUKASKI, 1987). Sabendo-se o valor da densidade corporal, é possível estimar o percentual de gordura corporal por meio dos modelos matemáticos de Siri (1961)e Brozek et al. (1963). Tal método é pouco utilizado e de difícil acesso.

Absortometria radiológica de dupla energia (DEXA)

O DEXA é uma técnica de “escaneamento” calculando as atenuações de raios x que passam pelo corpo (PAIVA et al. 2002). O sujeito fica deitado em posição anatômica e o raio x é calculado por um detector de energia. Se trata de uma técnica não invasiva considerada segura e que separa a composição em três componentes: Massa de gordura, massa livre de gordura e massa óssea (CINTRA et al., 2004). O custo elevado e a exposição á radiação são fatores limitantes da utilização da técnica.

Bioimpedância elétrica (BIA)

Esse método se da pela condução de uma corrente elétrica de baixa intensidade pelo corpo. A impedância ou resistência ao impulso elétrico é medido pela bioimpedância. A massa magra é um bom condutor de energia por possuir alta concentração de água e eletrólitos e a massa gorda um mau condutor de energia, pode-se dizer que a impedância é diretamente proporcional ao porcentual de gordura corporal (WAGNER e HEYWARD, 1999).

A validade e a precisão do método de bioimpedância elétrica são influenciadas por vários fatores como tipo de instrumento, colocação do eletrodo, nível de hidratação, alimentação, ciclo menstrual, temperatura ambiente e equação de predição.Assim, para não comprometer o resultado da

análise da composição corporal pela bioimpedância elétrica, alguns cuidados prévios são importantes: não comer ou beber quatro horas antes do teste, não fazer exercícios 24 horas antes do teste, urinar 30 minutos antes do teste, não consumir álcool nas 24 horas anteriores ao teste e não ter feito uso de medicamentos diuréticos nos últimos sete dias (Heyward e Stolarczyk, 2000). Estudos encontraram correlação entre o método e a pesagem hidrostática (Wu et al. 1993) e o Dexa (Okasora et al (1999). O método pode ser interessante para a composição corporal, desde que os cuidados acima citados sejam respeitados.

Índice de massa corporal

O IMC é o resultado da divisão do peso corporal, em quilos, pela altura em metros ao quadrado. Nos estudos com população elevada, os valores de IMC são os mais utilizados para a análise da composição corporal, mas sua interpretação no contexto individual deve ser feita com cautela. O IMC tem por estimativa que quão maior for o resultado no calculo, maior é a quantidade de gordura corporal (GUEDES, 2006).

Apesar de ser muito utilizado, o método mostra algumas limitações. Pessoas com massa magra muito elevada devido a pratica de exercícios físicos ou muito reduzidas devido a alguma patologia ou acidente, podem alterar o calculo sem que possa ser calculado se ocorreram alterações a nível de massa magra ou gordura corporal.

Dobras Cutâneas

A maior proporção de gordura corporal é localizada no tecido subcutâneo e, dessa forma, a mensuração da sua espessura é utilizada como indicador de quantidade de gordura corporal localizada em determinada região do corpo. Devido a oscilações do volume de gordura corporal de acordo com a região do corpo, é necessária mensuração das dobras de várias regiões do corpo para um calculo apropriado (GUEDES, 2006).

Devido a sua facil utilização e custo mais baixo em comparações a outros métodos, a técnica vem sendo muito utilizado para o calculo da gordura corporal. O tipo de adipometro utilizado e a experiência do avaliador são determinantes para uma avaliação precisa (GUEDES, 2006).

Algumas das equações mais utilizadas para cálculo do porcentual de gordura corporal por meio das pregas cutâneas são as propostas por Deurenberg et al (1990)que consideram sexo, etnia, idade e estágio de maturação sexual (pré-púbere ou pós-púbere), e a equação proposta por Slaughter et al (1988), na qual são considerados gênero e etnia.

O método é aconselhavel para populações menores e tem limitação em pessoas com gordura corporal elevada.

Medidas de perímetros

As medidas de perímetro mais utilizadas na avaliação da composição corporal de crianças são: circunferência da cintura e relação cintura/quadril. A preocupação com tais medidas se da pelo maior risco á saúde relacionada ao acumulo de gordura nessa região do corpo, independente da idade e da quantidade de gordura corporal total (THOMAS et al., 2004).

Uma grande limitação para a utilização da circunferência da cintura em crianças é a inexistência de um ponto de corte recomendado mundialmente para avaliar o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas.

Relação cintura/estatura

A relação cintura/estatura é calculada dividindo-se a circunferência da cintura (cm) pela medida da estatura (cm). Alguns autores destacam a importância desse calculo para associar o resultado a fatores de risco cardiovasculares em adultos e crianças (LIN et al., 2002; FREEDMAN et al., 2007). A relação cintura/estatura é um indicador efetivo para mensurar obesidade abdominal e discrimina risco de doença coronariana melhor do que o IMC e a circunferência de cintura (LI et al., 2006). Um valor maior de 0,50 é sugerido como ponto de corte para o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em indivíduos de ambos os sexos a partir dos seis anos de idade. Tal ponto de corte não pode ser utilizado para crianças menores de cinco anos, pois estudos mostram que este valor superestima o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas (SAVVA et al., 2000; HSIEH et al., 2003).

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