Os efeitos da Insuficiência Renal Crônica e a importância do exercício físico.

Créditos: Vitor Hugo Loni

            Os trabalhos envolvendo exercícios físicos e a população afetada pela doença renal crônica é muito escasso. Pensando nisso, o hoje Educador Físico Vitor Hugo Loni tratou do tema em sua monografia, enviada para nós, a qual vamos sintetizar os resultados e a discussão.

            O autor utilizou 20 voluntários, sendo 10 acometidos pela patologia e que realizavam hemodiálise e 10 saudáveis, a intenção foi comparar algumas variáveis entre os dois grupos em seu estado atual, sem intervenção precedente.

            As avaliações efetuadas pelo professor foram as seguintes: Mensuração da pressão arterial utilizando esfigmomanômetro com o intuito de avaliar a pressão arterial sistólica e diastólica, antes e depois dos testes de esforço. Utilizou o teste de preensão manual por meio de dinamômetro tanto na mão esquerda quanto direita, flexão de braço e resistência abdominal de 1 minuto.

            Nos resultados de seu estudo, o autor elaborou um comparativo entre os grupos, sendo que nos indicadores de força e resistência muscular, encontrou diferenças significativas entre os grupos nas variáveis preensão manual esquerda, preensão manual direita e flexão de braço, teste de abdominal de 1 minuto foi superior nos sujeitos saudáveis, porém, não significativo.

            Com relação a P.A, o autor mensurou tal variável antes e após cada avaliação (flexão de braço, preensão manual e abdominal). Na preensão manual não existiu diferença significativa entre os grupos. Na flexão de braço apenas houve diferença significativa na pressão sistólica, o mesmo ocorreu no teste abdominal.

            A idade da população selecionada por Vitor tinha média de 40 anos, a idade é um fator muito determinante para os portadores de IRC, pois quanto mais tempo apresentam a necessidade de tratamento, maior são as perdas relativas a massa muscular e capacidades físicas (DELIGIANNIS, 2004). Outro elemento é que pessoas que desenvolvem a IRC com idade mais avançada tende a apresentar uma resistência mais alta ao tratamento, além de uma sobrevida reduzida.

            Com relação a composição corporal de portadores de IRC, esta é muito afetada pela estrutura do sistema músculo esquelético, que tendem a apresentar em sua maioria uma estrutura e funções fora da normalidade, esta anormalidade é chamada de “miopatiaurêmica” (DELIGIANNIS, 2004).

            Esta miopatia é fruto de diversos fatores, tais como a subnutrição e a baixa ingestão de nutrientes energéticos, uma desregulação apresentada da síntese de proteínas e a capacidade de metabolizar os aminoácidos, o que limita o fornecimento de material para a síntese protéica, mantendo ativo normalmente a degradação protéica, o que leva ao catabolismo e não ao anabolismo, a tendência à inatividade física e sedentarismo apresentado pelos portadores de IRC, os efeitos adversos provocados tanto pelo excesso do hormônio paratireoide quanto das toxinas urêmicas, dificuldade em metabolizar a vitamina D, depleção da carnitina, e varias outras disfunções dos eletrolíticos que vem a gerar anormalidades no sistema nervoso autônomo e assim uma constante perda do condicionamento físico (DELIGIANNIS, 2004).

            Volker (2004), analisa que a redução das atividades físicas, e ainda mais dos exercícios físicos, provocadas por doenças, são as principais causas da perda de massa magra nesta população.

            Ikizler e Himmelfarb (2006) afirmam que indivíduos dependentes de hemodiálise sofrem de vários processos catabólicos, causados desde a uremia até a falta de um programa de exercício físico adequado, onde, o nível protéico e o energético estão em constante baixa diminuindo tanto as fibras músculo esqueléticas quanto as proteínas viscerais. O que torna a fisiopatologia complicada, por partir de vários fatores e ainda com poucas explicações e teorias comprovadas, contudo é claro que as irregularidades das funções musculares, no desempenho da realização de exercícios e atividades físicas em IRC vão gradualmente sendo agravados com o passar do tempo.

            Foi comprovado que pessoas que necessitam de hemodiálise apresentem uma quantidade muito menor de aminoácidos se comparados com pessoas sem esta patologia, este estado é semelhante a de alguém em jejum constante, onde fica claro a necessidade de uma boa suplementação e dieta durante a prática de exercícios ou não haverá efeitos anabólicos consideráveis no tratamento (JOHANSEN et al., 2006).

            Em relação à prescrição de exercícios físicos em portadores de IRC, Stores et al. (2005) afirmam que os exercícios resistidos não promovem grandes elevações da pressão arterial em indivíduos IRC, sendo segura a sua prescrição, e ainda contribuem para a melhoria da força muscular, ritmo de trabalho, pico de VO2máx, diminuição da fadiga e a função física. Desta forma os programas de reabilitação com este tipo de protocolo de treinamento geram benefícios morfológicos e metabólicos melhorando a capacidade de trabalho e independência.

            A fadiga apresentada pós a hemodiálise está ligada ao declínio da taxa de sobrevivência do paciente (KUTNER et al., 1997; AUKRUST et al., 2007). Com isso Heidenheim et al. (2003) observou que o tempo de recuperação da fadiga pós diálise para indivíduos que passam pela hemodiálise três vezes por semana diminuiu de 397 minutos para 44 minutos em indivíduos com hemodiálise diária.

Considerações

            O trabalho produzido por Loni (2013) é um dos poucos relacionados a essa população, portanto, diversas lacunas permanecem.

            A prática do exercício físico aparece como uma possibilidade de minimizar os efeitos deletérios derivados da patologia.

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