Treinamento de baixa sobrecarga com oclusão vascular: Efeitos cardiovasculares e na hipertrofia

Escrito pelo Prof. Esp e MBA Danilo Luiz Fambrini

Com o passar dos anos, especialmente após os 50 anos de idade, nos deparamos com a perda de massa muscular (conhecido como sarcopenia), fato que não somente é algo a se preocupar esteticamente, mas também pelas dificuldades relacionadas a mobilidade que são acarretadas com tal efeito do tempo (SAVINAIEN et al., 2004; FABRE et al., 2007). Outro problema que gera muita preocupação com o avançar da idade é a propensão a doenças cardíacas, que é aumentada pela redução da função cardíaca e da elasticidade do musculatura lisa contida no coração (TANAKA et al., 2009).

No entanto, esses fatores de risco para o individuo com idade mais avançada pode ser revertido pela alteração em seu estilo de vida, fazendo uso de exercícios físicos em suas rotinas diárias (OTSUKI et al., 2008).

Recentemente o treinamento com oclusão vascular tem sido pensado como uma forma de alcançar grandes resultados utilizando baixa carga, o que resultaria em menor agressão ao praticante no âmbito articular, muscular e cardiovascular (ABE et al., 2010, FRY et al., 2010, YASUDA et al., 2014). É interessante que também seja utilizado treinamento aeróbio nas rotinas de treinamento.

Impacto do Treinamento com Oclusão Vascular nos fatores hormonais relacionados a hipertrofia muscular

A hipertrofia muscular originada por meio de sobrecargas elevadas é pensada como ocasionada pelo alto número de unidades motoras recrutadas no movimento (MAKINTOSH et al., 2005). Esse estimulo leva a um maior estresse mecânico (HAKKINEN, 1993), maiores respostas endócrinas (KRAEMER et al., 2006) e acúmulo de metabólitos (JONES e RUTHERFORD, 1987).

Recentemente estudos tem relatado que o treinamento com pesos com oclusão vascular e baixa intensidade é capaz de levar a adaptações neurais e

musculares, respostas endócrinas e consequentemente hipertrofia muscular semelhantes ao treinamento com pesos com alta intensidade convencional (TAKARADA et al., 2000, TAKARADA et al., 2002, ABE et al., 2010).

Os mesmos estudos ainda encontraram maiores concentrações de GH com essa prática, chegando a serem superiores aos do treinamento convencional, fato apoiado pela hipótese do acumulo de lactato ser mais elevado nessa situação (GODFREY et al., 2009).

Impacto do Treinamento com Oclusão Vascular nos fatores transcricional relacionados a hipertrofia muscular

A síntese protéica é fator crucial para a hipertrofia muscular e é desencadeada por fatores transcricionais incluindo a regulação do mRNA pelas vias de rapamicina (mTOR) (BAMMAN et al., 2001).

Yasuda et al. (2009), recentemente, encontrou essa síntese protéica e ribosomal S6 kinase (S6K-1) sendo aumentadas após uma única sessão de treinamento com oclusão vascular. Essas ações podem ser explicadas pela regulação de genes associados a hipertrofia, como Phosphoinositide 3-quinase (PI3K), proteína quinase B (AKT) e mTOR.

Além disso, um aumento da taxa de angiogênese tem sido descrita quando os níveis de lactato são elevados, assim provocando um maior estímulo hipertrófica (HUNT et al., 2008).

Impacto do Treinamento com Oclusão Vascular nos fatores de mudança hemodinâmica.

Estudos relatam que exercícios com utilização de cargas moderadas ou elevadas, especialmente em movimentos isométricos elevam a pressão arterial sistólica e diastólica de forma acentuada (MacDOUGALL et al., 1985; ROWELL, 1993).

Tais resultados sugerem uma forte influência da sobrecarga sobre as funções hemodinâmicas, podendo ser mais agressivo o exercício extenuante.

Em contrapartida aos achados, Renzi et al. (2010) adverte sobre a utilização de tal método em pessoas com propensão a doenças cardíacas, pois, apesar da baixa sobrecarga, eleva a pressão arterial nessa população a níveis maiores que o treinamento convencional.

Por outro lado, em indivíduos sem tendência a doenças cardíacas os valores de pressão arterial se mostram semelhantes aos do treinamento convencional (PARK et al., 2010), o que leva a crer na segurança do método nesse grupo de praticantes.

Impacto do Treinamento com Oclusão Vascular na função autonômica

O treinamento com pesos se mostra eficiente na ativação nervosa parassimpática em praticantes com hipertensão, ou insuficiência cardíaca (MALFATTO et al., 1998), no entanto, não ocorrem os mesmos resultados se utilizadas as mesmas sobrecargas em praticantes saudáveis, o que sugere que para tal semelhança, seja necessária uma sobrecarga maior nessa população (HEYDARI et al., 2013).

Existe relato sobre o aumento da atividade nervosa simpática por meio da utilização do treinamento com oclusão vascular (IIDA, 2007).

Limitações do treinamento com oclusão vascular e projeção futura

Não existe um padrão com relação a volume de oclusão, tempo de utilização, carga a ser utilizada nesse método. No entanto, Takarada et al. (2000) sugere que 100mm/Hg seja suficiente para aumentar a concentração de Lactato sanguíneo e estimular a hipóxia no trabalho muscular. Já Figueroa e Vicil (2011) não encontraram esses resultados com 100mm/Hg.

Outra questão levantada é o tamanho do manguito a ser utilizado, onde foram encontrados resultados com manguito de 13,5 cm (ROSSOW et al., 2013) e 5 cm (ABE, 2010), deixando dúvidas sobre tal fator.

Considerações

O método de oclusão vascular tem relatos positivos na literatura com relação a manutenção da massa muscular e hipertrofia, porém, não foi confirmada a segurança do método devido as oscilações da pressão arterial, portanto, alvo de cuidados, principalmente para pessoas com tendência a doenças cardíacas. A ausência de um padrão para aplicação é outro ponto a ser levado em consideração antes da utilização do método.

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