Qual a influência do exercício físico sobre a qualidade do sono?

Escrito pelo Prof. Esp e MBA Danilo Luiz Fambrini

Quantas vezes você já ouviu algum familiar, amigo ou conhecido mencionar sobre a dificuldade que tem para conseguir dormir, ou então, sobre o fato de acordar com frequência durante a madrugada? As horas de sono são de extrema importância para a longevidade, e a qualidade do mesmo é essencial. Mas qual a influência do exercício físico sobre a qualidade do sono?

O estresse da rotina diária, sendo ela por trabalho, escola, ou problemas em geral, resulta em uma restrição no sono ou parcelamento do mesmo, ocasionando uma péssima qualidade deste (LYZNICKI et al. 1998).

Como consequências da alteração do padrão de sono podem ocorrer reduções da eficiência da aprendizagem, do tempo de reação e da concentração, além de déficit de memória, aumento da irritabilidade, alterações metabólicas, endócrinas e quadros hipertensivos (Mc Carthy et al. (1997).

Há alguns anos, o exercício tornou-se uma unanimidade na promoção da saúde e melhora da qualidade de vida, diminuindo os riscos de desenvolvimento de doenças crônicas e atuando como fator-chave para aumentar a longevidade (MARTINS, MELLO & TUFIK, 2001).

A curiosidade sobre os efeitos do exercício físico no padrão de sono tiveram inicio há mais de 40 anos. Heinzelmann e Bagley (1970) estudaram a capacidade de um programa de atividade física na promoção de comportamentos saudáveis.

O treinamento ocorreu em 18 meses, utilizando de três sessões semanais de uma hora, onde os participantes relataram menor necessidade de sono, assim como um sono mais relaxado e restaurador (HEINZELMANN & BAGLEY, 1970).

Atualmente, os exercícios são reconhecidos pela American Sleep Disorders Association como uma intervenção não-farmacológica para a melhora do padrão de sono (LAVIE, 1996).

Uma hipótese bem aceita é o fato de que o exercício pode acelerar o deslocamento de fase de alguns marcadores biológicos, como a liberação do hormônio melatonina, demonstrando assim uma relação direta com marcadores relacionados ao ciclo sono-vigília (MIYAZAKI et al., 2001).

Há 30 anos, Horne e Moore levantaram a hipótese de influência termorreguladora do exercício físico para a facilitação do sono.

A hipótese termorregulatória apóia-se na evidência de que o início do sono é disparado pela redução da temperatura corporal que ocorre circadianamente no início da noite (MURPHY & CAMPBELL, 1997).

Alguns estudos descrevem a função crucial do hipotálamo na regulação da temperatura corporal e na indução do sono (LU et al., 2000).

Portanto, o exercício, ao aumentar a temperatura corporal, criaria uma condição capaz de facilitar “o disparo” do início do sono, por ativar os processos de dissipação de calor controlados pelo hipotálamo, assim como os mecanismos indutores do sono dessa mesma região (DRIVER & TAYLOR, 2000).

A teoria restauradora ou compensatória relata que a condição para a atividade anabólica durante o sono é favorecida após alta atividade catabólica durante a vigília (DRIVER & TAYLOR, 2000), ou seja, com o gasto energético induzido pelo exercício físico, se faz necessário um sono restaurador, o que ocorre com maior facilidade.

Dessa forma, o exercício poderia facilitar o sono por reduzir as reservas energéticas corporais, o que aumentaria a necessidade de sono, principalmente do sono de ondas lentas (MONTGOMERY et al., 1982).

O exercício, portanto, facilitaria o sono por aumentar o gasto energético durante a vigília e isto aumentaria a necessidade de sono, de forma que se possa alcançar um balanço energético positivo e se restabeleça a condição adequada para um novo episódio de vigília.

Os benefícios do exercício físico não são privilégios de uma determinada faixa etária, por exemplo, segundo Mello e Tufik (2004), sabe-se que adolescentes fisicamente ativos e em boa condição física possuem benefícios quanto à eficiência e quanto à qualidade do sono, enquanto adolescentes inativos queixam-se de sono ruim, de baixa eficiência e consequentemente sentem-se mais estressados. O exercício físico provoca o aquecimento corporal, ocasionando um equilíbrio durante a noite, diminui a latência do sono, ou seja, facilita o início do sono. Em indivíduos sedentários a prática de exercícios físicos no início da noite pode acarretar insônia, o que não acontece com indivíduos treinados.

Os mesmos autores citam ainda, que durante a adolescência boa parte da população tem problemas emocionais, sendo eles de fundo familiar, com relação ao aspecto físico, resultados na escola, entre outros. Considerando que o exercício físico estimula a aprendizagem e melhora a condição física, reduz o estresse, permitindo um sono apropriado para essa idade.

Outro fator que deve ser observado é que a intensidade do exercício e o horário de atividade são importantes. Segundo Budgett (1990), exercícios de alta intensidade durante a noite podem trazer dificuldades no equilíbrio térmico e retardar o sono.

Considerações

O exercício físico traz diversos benefícios com relação ao sono e permitir melhorias na qualidade de vida em todas as faixas etárias. No entanto, cuidados com relação á intensidade do exercício físico durante a noite são necessários para não intervir de forma negativa no sono.

Mais 5 trabalhos científicos sobre Coronavirus e Exercício Físico para ler e/ou baixar, veja

Ler a matéria

Sistema Imune e EXERCÍCIO FÍSICO – Isso pode te proteger do COVID-19? [VÍDEO]

Ler a matéria

5 trabalhos científicos sobre Coronavirus e Exercício Físico para ler e/ou baixar, veja

Ler a matéria