O que é Canelite?

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A Síndrome do estresse tibial medial, popularmente conhecida como “canelite”, é uma lesão crônica em corredores ocasionada pela sobrecarga no osso da tíbia e da tração excessiva na inserção do músculo sóleo (músculo flexor do tornozelo) na margem póstero-medial da tíbia, caracterizada por dor na borda anterior e medial da tíbia (CASONATO & POSER., 2005).

O mecanismo patofisiológico preciso não é totalmente conhecido, embora ela envolva uma irritação periosteal ao longo do comprimento da tíbia (DUTTON, 2006).

Na literatura, existem duas definições da etiologia da síndrome do estresse medial da tíbia (canelite):

A primeira hipótese seria relacionada a contração excessiva da musculatura do tibial posterior, pois, esta, estaria envolvida no estresse causado na face posterior da tíbia que levaria a periostite dessa região;

Já a segunda seria a insuficiente capacidade de remodelação óssea causada pelo estresse continuo na tíbia. A canelite leva a um quadro clínico caracterizado pela dor na face póstero-medial da tíbia, na porção média e/ou distal antes, durante e/ ou após a atividade física, e dor difusa à palpação. Em casos avançados o indivíduo pode relatar dor durante as atividades do cotidiano (CRAIG, 2008; MOEN et al., 2009).

Essa síndrome é classificada em quatro graus de gravidade, sendo a fratura por estresse considerada o grau IV da síndrome, por isso a necessidade de um diagnóstico precoce, para que a síndrome não se transforme numa fratura por estresse. Para o profissional de saúde suspeitar de uma ou de outra lesão, na maioria das vezes o atleta necessita de um exame de imagem para completar o diagnóstico. Os exames mais indicados para realizar esse diagnóstico diferencial são a cintilografia óssea e a ressonância magnética (CASTROPIL, 2006).

A cintilografia óssea é realizada em três fases e ocorre por meio de uma injeção intravenosa de um marcador radioativo que irá destacar áreas de maior atividade óssea, como por exemplo, ao longo da tíbia, de forma sutil no caso de uma síndrome e num formato ovalado, localizado e intenso, no caso de uma fratura por estresse (KIURU, 2000).

Já a ressonância magnética é o melhor exame de imagem  para avaliar lesões músculo esqueléticas, pois detecta as alterações da canelite e da fratura por estresse com maior agilidade com relação a cintilografia e pode não necessitar de injeção de contraste (FREDERICSON, 1995).

Segundo Fredericson (1995), os sinais identificados pela ressonância magnética variam desde alterações inflamatórias em tecidos moles da região ântero-medial da perna até alterações ósseas progressivas na medular óssea e fratura na cortical óssea. A ressonância magnética permite a classificação da lesão, onde são considerados três estágios da síndrome em I, II e III. O grau IV já é a própria fratura por estresse

Referências

  • Moen MH, Tol JL, Weir A, Steunebrink M, De Winter TC. Medial tibial stress syndrome: a critical review. Sports Med.;39(7):523-546, 2009.
  • Craig DI. Medial tibial stress syndrome: evidence-based prevention. J Athl Train. May- Jun;43(3):316-318, 2008.
  • CASONATO, O., POSER, A.; Fisioterapia – Reabilitação Integrada das Patologias do Tornozelo e do Pé, Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan, 2005.
  • DUTTON, M., Fisioterapia ortopédica – Exames, avaliação e intervenção, São Paulo, Editora Artmed, 2006.
  • CASTROPIL, W., Valor diagnóstico e prognóstico dos métodos de imagem na fratura de estresse da tíbia: correlação clínico-radiológica, Disponível em: <http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=436077&indexSearch=ID>, Acesso em 17/09/2016.
  • FREDERICSON, M., BERGMAN, A. G., HOFFMAN, K. L. et al., Tibial stress reaction in runners. Correlation of clinical symptoms and scintigraphic with a new resonance imaging grading system. Am J Sports Med. 1995; 23: 472-81.
  • KIURU, M. J., PIHLAJAMAKI, H. K., HIETANEN, H. J. et al., MR imaging, bone scintigraphic, and radiography in bone stress injuries of the pelvis and the lower extremity. Acta Radiol., 2002; 43: 207-12.

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