Treinamento com pesos no combate a Artrose e Artrite

Atualmente as doenças reumáticas são as maiores causas que acometem a dor e a incapacidade segundo as diretrizes do ACSM (2014). Os autores relatam que mesmo com dificuldades ou limitações o exercício realizado de forma regular torna-se essencial para evitar o avanço e controlar essas condições.

Em especial será comentado sobre as recomendações e os possíveis benefícios do treinamento com pesos em indivíduos com artrite e artrose.

Uma breve descrição de artrite segundo as diretrizes do ACSM (2014) menciona que consiste em uma doença crônica onde ocorre uma patologia do sistema imune contra os tecidos musculares. Os autores citam ainda que mesmo os medicamentos sendo os componentes- chave para o tratamento, os especialistas recomendam uma abordagem mais disciplinar que envolvam exercícios físicos, fisioterápicos e terapia ocupacional.

Relacionada a Artrose, a instituição menciona que a doença articular degenerativa que afeta uma ou mais articulações em especial as articulações das mãos, do quadril, coluna e joelhos.

Jorge (2009) define que treinamento resistido (com pesos) é a atividade que desenvolve e mantém a força, a resistência e massa muscular, sendo sua prática cada vez mais realizada por indivíduos com ou sem doenças musculoesqueléticas crônicas. Em sua revisão os autores constataram esse beneficio que os exercícios resistidos proporcionam aos praticantes.

Bennel (2011) cita a importância do treinamento com pesos para minimizar a perda de massa muscular dessa população, podendo variar com trabalhos isométricos e isotônicos numa intensidade leve a moderada (40-60% 1RM) e com um volume entre (10-15 ) repetições.

Lange (2008) em sua revisão constatou que o treinamento com pesos melhorou a força muscular e medidas de auto-relato da dor.

Lathan (2010) produziu uma revisão bibliográfica onde observou que o treinamento com pesos foi benéfico para populações com artrite em especial idosas. A característica principal que foi observada foi o aumento da força muscular, consequentemente esse aumento gerou melhoras em tarefas do dia-dia como a mobilidade e o aumento da velocidade em caminhadas e o ato de sentar e levantar de cadeiras, por exemplo.

Idosos diagnosticados com osteoartrite nos membros inferiores foram submetidos a um programa de treinamento com pesos durante 12 semanas realizados duas vezes na semana. Neta (2016) ao concluir este programa observou que os idosos apresentaram efetiva melhora em seu condicionamento e em especial com relação aos níveis de dor e aumento da força muscular, refletindo em melhora nos aspectos funcionais e emocionais da qualidade de vida dos mesmos.

Resultado semelhante encontrado por Rasi (2017) que realizou também durante doze semanas um programa de treinamento com pesos em mulheres com idade acima de 65 anos. O autor constatou que  programa de treinamento é aconselhável e seguro para pessoas acometidas com esse problema. E ainda observaram uma redução de 30% nos sintomas de dor.

Em outra revisão Pelland (2004) revisou mais de vinte estudos, onde os programas de treinamento incluíam exercícios concêntricos, excêntricos e isometria. Observou-se a melhora com relação a dor e qualidade de vida da população estudada.

Ele ressalta a importância de agregar trabalhos que visem a flexibilidade junto ao programa. Observou-se também que o programa serviu para aumentar os níveis de atividade física em intensidade moderada e vigorosa, ou seja, muitos aderiram uma progressão do treinamento em sua rotina de vida.

É importante ressaltar a importância de programar antes de realizar um programa de treino. Deve-se ter pelo conhecimento da atual situação do aluno, as sessões geralmente são aplicadas com pesos livres e maquinas, o estimulo ao aluno sempre é importante, incentivá-lo a gradativamente aumentar sua intensidade em relação ao exercício o que inclui tanto a carga quanto a amplitude do movimento e procurar no mínimo ter vinte e quatro horas de descanso entre as sessões (VINCENT, 2012)

O ACSM (2014) destaca alguns pontos importantes para a prescrição com pesos nesta população:

Os exercícios não devem ser extenuantes, principalmente nos quadros agudos e nos períodos de inflamação.

Tomar cuidado com as articulações em relação a sua amplitude de movimento durante esses períodos.

Segue agora um breve resumo elaborado pelo ACSM (2014) sobre a prescrição de treinamento com pesos destinado a esta população.

Frequência

Recomenda-se uma freqüência de dois a três dias durante a semana.

Intensidade

Recomenda-se uma intensidade de leve a moderada, ou seja, com uma quantidade de repetições entre 10 a 15 repetições e com uma porcentagem de 40-60% de 1 RM.

O treinamento deve incluir os principais grupos musculares, não tendo uma quantidade adequada de séries ou repetições. Deve-se considerar os níveis de dor do aluno.

Exercícios de flexibilidade podem ser incluídos como complemento, e também é indispensável períodos de aquecimento e resfriamento com tempo entre 5 a 10 minutos, envolvendo moimentos lentos das articulações.

Referencias:

  • Bennel, K.L, Hinman, R.S. A review of the clinical evidence for exercise in osteoarthristis of the hipand knee. Journal of Science and Medicine in Sport, 2011
  • Jorge, R.T, Souza,M.C, Jones, A, et al. Treinamento resistido progressivo nas doenças musculoesqueléticas crônicas. Revista Brasileira de Reumatologia, 2009.
  • Lange, A.K, Vanwanseele, B, Singh, M.A.F. Strength training for treatment of osteoarthristis of the knee: A systematic Review. Arthritis & Rheumatism (Arthritis Care & Research) Vol 59, Nº10, October, 2008
  • Lathan, N, Chiung-ju, L. Strength Training in older adults: The benefits for osteoarthritis. Clin.Geriatr. Med, august, 2010
  • Neta, R.S.O, Junior, F.K.L, Paiva, T.D, et al. Impacto de um programa de três meses de exercícios resistidos para idosos com osteoartrite de joelhos da comunidade de Santa Cruz, Rio Grande do Norte, Brasil. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 2016
  • Pelland G, Brosseau L.L Wells. Efficacy of strengthening exercises for osteoarthritis (Part I): a meta-analysis. Physical Therapy Reviews, 2004
  • Prescrição de Exercícios para populações com Doenças Crônicas e outros problemas de Saúde. Diretrizes do Colégio Americano de Medicina do Esporte, 2014, 9ª Edição, Cap. 10, Págs. 242-244
  • Rasi, K.U, Patil, R, Karinkanta, S, et al. Exercise training in treatment and rehabilitation of hip osteoarthritis: A 12 week pilot Trial. Journal of Osteoporosis, 2017
  • Vincent, K.R, Vincent, H.K. Resistence Exercise for Knee Osteoarthritis. American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation, 2012

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