Coordenação Intermuscular

Escrito pelo Prof. Esp. e MBA Danilo Luiz Fambrini

A coordenação Intermuscular ocorre quase que simultaneamente com a coordenação intramuscular, diferenciando-se pelo fato dos ajustes ocorrerem entre os músculos envolvidos no ato motor. O aumento da inervação nas musculaturas acarreta no aprimoramento das capacidades coordenativas dos sistemas musculares. O aumento da inervação intermuscular pode ser explicado devido à melhoria da coordenação dos grupos musculares participantes de um determinado movimento. Tanto agonistas quanto antagonistas desempenham um importante papel (WEINECK, 1999). A coordenação intermuscular, no entanto, é representada pela cooperação de diversos músculos em  relação a uma seqüência de movimentos que se tem em vista (HOLLMANN; HETTINGER, 1983).

         A função quanto ao desenvolvimento da força, que apresenta as solicitações das unidades motoras, determina que a coordenação intermuscular aparece também como ferramenta de incremento da força. Ocorre o recrutamento das musculaturas necessárias e seus sinergistas ao máximo, na mesma proporção que inibe as musculaturas antagonistas e mantém a integridade das articulações através das musculaturas estabilizadoras. De acordo com essas informações, Weineck (1999) acredita que o reduzido controle intermuscular, seja quanto aos sinergistas ou aos antagonistas, ocasiona uma diminuição no desenvolvimento de força dinâmica máxima possível. Desta forma a coordenação intermuscular apresenta-se como mais um evento ocorrido durante a adaptação neural levando em conta as evidências do aumento desta em indivíduos treinados quando comparados a indivíduos não-treinados.

         A ativação neural aparece como o mecanismo responsável pelo ganho de força muscular, que acontece quando se inicia um treinamento de força sem ter relação com à hipertrofia das fibras musculares. McArdle et al., (1991) preferem utilizar a teoria de assincronizada e sincronizada. Relatando que o teste de recrutamento padrão de unidades motoras tem variação conforme o exercício executado, levando em consideração que nem todas as unidades motoras são solicitadas simultaneamente.

         Em sua obra, Fleck e Kraemer (2006) concluem que se apenas uma unidade motora for ativada, uma quantidade muito baixa de força será produzida. Porém, se todas as unidades forem recrutadas, a força máxima do músculo será produzida. Assim o fato de o músculo contrair-se ou manter-se relaxado, depende do somatório dos impulsos nervosos recebidos pelas unidades motoras num determinado estímulo.

       O recrutamento das unidades motoras é determinado geralmente pelo tamanho de seu motoneurônio (CARROLL et al, 2001), estes tem a capacidade de agrupar um número aproximado de 10 a 180 fibras por unidade motora de fibras lentas, e 300 a 800 fibras por unidade motora de fibras rápidas ( WILLMORE; COSTILL, 1999). Uma das características do maior recrutamento dos motoneurônios é conhecida como princípio do tamanho.

      Este princípio é caracterizado pelo recrutamento dos motoneuronios de forma crescente, dos menores motoneurônios para os maiores (BEAR et al, 2002; FLECK et al, 1996; SALE, 1987). O princípio do tamanho nos dá uma base anatômica  para o recrutamento ordenado de unidades motoras específicas com intenção de produzir uma contração muscular uniforme.

          Dessa forma, as unidades motoras se tornam ativas por influência dos impulsos que saem dos motoneurônios, mediante os quais as fibras musculares se contraem (VERKHOSHANSKI, 2001). Com a taxa dos impulsos do sistema nervoso aumentada, as unidades motoras possibilitam gerar mais força, assim tornando-se um outro exemplo da adaptação neural.

Referência da imagem: BP Blogspot

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