O que é e qual a função do Órgão Tendinoso de Golgi?

Escrito pelo Prof. Esp e MBA Danilo Luiz Fambrini

O órgão tendinoso de Golgi (OTG) localiza-se no tendão e está em série com as fibras musculares extrafusais. Essencialmente, o OTG serve como um dispositivo de segurança que ajuda a impedir uma geração de força excessiva durante a contração muscular (POWERS; HOWLEY , 2005).

Diferentemente do fuso muscular, o OTG responde melhor à contração do que à extensão muscular. Enquanto o tendão demonstra um limiar de disparo baixo para a contração, precisa-se de um limiar consideravelmente alto para responder ao alongamento (JAMIL, 1992 apud ACHOUR JÚNIOR, 2006).

      Ainda segundo os autores, a insensibilidade relativa do OTG ao exercício de alongamento é causada pela sua localização em série com os feixes musculares.

      Durante a contração muscular, o OTG descarrega um impulso nervoso capaz de inibir a contração muscular e provoca o relaxamento do músculo. Por esse motivo, o órgão tendinoso de Golgi é um sistema aferente inibitório, enquanto o fuso muscular é excitatório (SILVERTHORN, 2003 apud ACHOUR JÚNIOR, 2006).

       Basicamente, o OTG inibe a contração do músculo agonista (agente do movimento) e estimula a contração do antagonista (músculo que se opõe ao agonista) quando a tensão muscular alcança níveis críticos. A esse mecanismo dá-se o nome de reflexo tendinoso (TORTORA e GRABOWSKI, 2002 apud Di ALENCAR; MATIAS, 2010). Esse processo inibitório existe para evitar a contração excessiva do músculo, pois isso poderia gerar uma sobrecarga no tendão e resultaria em lesão (MONTEIRO e FARINATTI, 2000). Como o OTG força o músculo agonista a se relaxar, isso acarreta em uma dificuldade maior de geração de força máxima naquele movimento.

      Kokkonen. et al. (1998) encontraram déficit no teste de 1 RM (teste de uma repetição máxima) em sujeitos que foram submetidos a cinco diferentes exercícios de alongamento para os músculos extensores e flexores de joelho com volume total de 20 minutos. Os resultados obtidos no estudo reportam que o grupo submetido ao protocolo de alongamento obteve um decréscimo de 16% na geração de força em relação aos valores obtidos pelo mesmo grupo antes da aplicação do alongamento.

      Esse resultado foi atribuído pelos autores às alterações das respostas musculares e dos propioceptores articulares em decorrência do alongamento.

       Segundo os autores, o OTG seria responsável por responder à tensão provocada pelo alongamento, gerando um reflexo inibitório no músculo que estava sendo alongado. Ainda de acordo com Kokkonen et al. (1998) os receptores presentes nos músculos, tendões e cápsula articular também podem ser responsáveis pela inibição neural das unidades motoras.

      Alguns autores sugerem que o déficit no desempenho muscular gerado pelos exercícios de alongamento seria diretamente proporcional ao tempo mantido na posição alongada (ACHOUR JÚNIOR, 2006; ZAKAS et al, 2006).

       Buscando investigar a influência do volume de alongamento no desempenho do músculo quadríceps, Zakas et al. (2006) observaram que protocolos de cinco e oito minutos causaram déficit significativo no torque isocinético, mas nenhuma diferença relevante foi encontrada quando foi aplicado o protocolo de apenas 30 segundos de alongamento. Já Brandenburg (2006) encontrou déficits significativos na performance isocinética dos isquiotibiais após protocolos de alongamento estático com volumes de 15 e 30 segundos.

       Sendo assim, a questão de qual seria o tempo de permanência na postura alongada suficiente para comprometer a geração de força muscular ainda é um aspecto bastante controverso na literatura (GREGO NETO e MANFFRA, 2009).

Referência da imagem: anatomyfacts

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