A utilização do treinamento de força para otimizar o desempenho de Ciclistas e Corredores.

Escrito pelo Prof. Esp e MBA Danilo Luiz Fambrini

Os efeitos do treinamento de força na melhoria do desempenho atlético tem sido alvo de debate entre atletas, treinadores e cientistas do esporte. O treinamento de força pode ser subdivido nesse caso em dois modelos: Treinamento de força e treinamento de resistência. O primeiro tem características de utilizar cargas mais elevadas e menos repetições e o segundo caracteriza-se pela utilização de cargas menores (0-60% de 1RM) e compostos por mais de 15 repetições normalmente (RONNESTAD et al., 2013).

Os efeitos do treinamento de força sobre fatores que influenciam no desempenho de resistência.

O consumo máximo de oxigênio (VO2) tem sido relacionado com o desempenho nos esportes de endurance e uma das principais características que determinam o desempenho de resistência (Bassett e Howley, 2000, Di Prampero, 2003; Levine, 2008). O aumento do VO2 reflete em um aumento da resistência, sendo que para o esporte é necessário um nivel elevado do VO2 máximo (IMPELLIZZERI et al., 2005). Tal variável é o indicador de intensidade máxima para o exercício prolongado.

Existe pouca evidência que indique que o treinamento de força é o principal responsável pelo aumento de VO2 max, e apenas um efeito de complemento quando comparados treinamento concorrente e treinamento de resistência isolado em diversas modalidades, como em ciclistas treinados (Levin et al., 2009; Rønnestad et al, 2010; Sunde et al, 2010; Aagaard et al., 2011), corredores de longa distância (Mikkola et al., 2007, 2011; Storen et al., 2008; Taipale et al., 2010) e triatletas (Millet et al., 2002). Porém, em sua revisão sobre o tema, Ronnestad et al. (2013), destaca que os estudos encontrados na literatura tem um periodo de treinamento de 8 a 12 semanas, com a possibilidade de que maiores periodos de treinamento possam ter efeito significativo utilizando o treinamento concorrente também.

Economia de energia

A economia de energia (EE) tem sido definida como o consumo de oxigênio exigido para executar uma atividade submáxima (SOUNDERS et al.2004). Existe uma variação individual na economia de energia mesmo quando os indivíduos tem valores semelhantes de VO2máx. A economia de energia se torna assim, um fator determinante para diferenciar o desempenho dos sujeitos com VO2 semelhante (Horowitz et al., 1994).

Diversos estudos tem encontrado efeitos melhorias da EE de 8 a 14 semanas de treinamento concorrente ou treinamento de resistência isolado (Storen et al., 2008; Guglielmo et al, 2009; Taipale et al., 2010). Também foram encontrados resultados positivos quando foram mescladas sessões de treinamento de força e de resistência em corredores (Saunders et al., 2006; Taipale et al., 2010 ). Mikkola et al. (2007), adicionou apenas uma sessão de treinamento de força semanal e não foram encontrados resultados expressivos.

Sugere-se que duas a três sessões semanais de treinamento de força seja capaz de potencializar a economia de energia, tendo em vista que estudos que utilizaram combinado de treinamento de força e treinamento de resistência especifico apresentaram melhorias nessa variável em ciclistas e corredores formação (Bastiaans et al., 2001; Rønnestad et al, 2010; Aagaard et al., 2011).

Ronnestad et al (2011) mostrou que a utilização de treinamento de força combinado ao treino especifico de resistência apresentou melhorias na economia de energia de ciclistas. Outro beneficio encontrado na literatura é a redução de frequência cardíaca duas horas após exercício em ciclistas em apenas 5 semanas de treinamento de força.

Tais achados sugerem bons resultados com a implementação de treinamento de força nas rotinas de treinamento de ciclistas e corredores.

Limiar de Lactato

A fração de VO2máx que pode ser sustentado durante um período de tempo está associado ao grau de concentração de lactato sanguíneo durante o exercício (TANAKA e SEALS, 2008).

Termo mais utilizado para descrever essa fração é o limiar de lactato, que reflete a estimativa do ponto de interrupção da curva de Lactato em função da intensidade do exercício (TOKMAKIDIS et al., 1998). O mesmo autor relata que existem diversas formas de avaliar a velocidade de saída de lactato o que ocasiona a existência de vários “limiares”, porém, todos correlacionados com a resistência a longo prazo do desempenho.

Uma maior velocidade da saída de lactato ocasiona maior possibilidade do atleta manter o desempenho por um tempo maior devido a manutenção da produção de velocidade/potência. Vários estudos relatam a alta relação desse fator com o desempenho de corredores e cliclistas (Lucia et al., 1998; Impellizzeri et al., 2005; Slattery et al., 2006).

Levando em consideração que existe influência do VO2 e da economia de energia na velocidade do limiar de lactato, espera-se que o treinamento de força e resistência seja capaz de otimizar o desempenho de corredores e ciclistas. Porém, na literatura ainda existem resultados ambíguos. Alguns estudos mostraram melhorias no limiar (Paavolainen et al., 1999; Hoff Helgerud, 2002; Mikkola et al, 2011; Støren et al., 2012) enquanto outros não apresentaram diferenças significativas ((Bishop et al., 1999; Sunde et al, 2010; Aagaard et al., 2011), mas nenhum demonstrou efeitos negativos da utilização do treinamento de força.

Programa de treinamento de força pode levar a melhora de potência máxima e velocidade máxima ou o tempo para a sua exaustão ((Hickson et al., 1988; Millet et al., 2002; Rønnestad et al, 2010a, b; Sunde et al., 2010; Taipale et al, 2010, 2013; Mikkola et al, 2011;Støren et al., 2012).

Outro fator determinando tanto para ciclistas quanto corredores é a velocidade de potência, na qual, é importante para se ter uma boa posição no inicio da corrida, se distanciar do pelotão ou ainda determinante para o sprint final para a vitória.

Potência de pico é muito relacionada com a área de secção transversa do músculo (Izquierdo et al., 2004). O aumento da área muscular do quadríceps foi associado com maior potência de pico de saída após o treinamento de força combinada e treinamento de resistência em ciclistas bem treinados (Rønnestad et al., 2010). Da mesma forma, atletas de competições de tiro curto com predominância anaeróbia podem conseguir tal hipertrofia após longos períodos de treinamento de explosão (Paavolainen et al., 1999; Mikkola et al., 2007).

Você utiliza em seus treinamentos ou de seus alunos o treinamento de força como parte da rotina? Quais os resultados? Compartilhe sua experiência.

Referência da imagem: Foco Fitness

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