A prática do exercício físico e sua capacidade em melhorar o desempenho escolar

Escrito pelo Prof. Esp e MBA Danilo Luiz Fambrini

Nós já sabemos os inúmeros benefícios físicos ocasionados pela prática constante de exercícios físicos, mas alguns estudos tem relatado a eficiência de tal prática também na melhoria dos aspectos cognitivos. Nessa publicação trataremos dos benefícios intelectuais ocasionados pelo exercício físico e seus motivos.

Podemos inicialmente levantar uma questão: Existe uma prática específica que auxilia na melhora das capacidades de aprendizagem?

Devemos destacar que atividade física e exercício físico tem conceitos diferentes. Atividade física é qualquer ação que promove trabalho motor, já o exercício físico é uma ação com objetivo e organizada (CASTRO e NEGRÃO, 2014).

O Sistema Nervoso tem a função de coordenar nossos movimentos voluntários e os involuntários. (POWERS e HOWLEY, 2000, D‟ANGELO e FATTINI, 2002). Tal sistema é dividido em dois modelos: Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP). O primeiro tem em sua composição estruturas localizadas entre o crânio e a medula espinhal, e o SNP é constituído por nervos cranianos, gânglios e terminações nervosas. (POWERS e HOWLEY, 2000).

A prática de exercícios físicos é tão importante para a melhora cognitiva que Amen (2013) cita tal prática como sendo o comportamento mais importante que o ser humano pode ter para aumentar a função cerebral e manter a aparência jovem do seu corpo.

Ao nos exercitarmos o nosso coração bombeia mais sangue para todo o corpo, inclusive para o cérebro, aumentando o fluxo de sangue que chega até ele, fornecendo mais oxigênio, nutrientes e glicose, aumentando, assim a capacidade cerebral. Os exercícios intensificam a comunicação neuronal, melhoram a produção de novos neurônios e aumentam à quantidade dos neurotransmissores, que são substâncias responsáveis por levar informação de uma célula nervosa à outra (CASTRO e NEGRÃO, 2014).

Os exercícios físicos são capazes de regularem o sistema neurotransmissor, neste processo os neurotransmissores mais beneficiados são a gaba, a dopamina, a norepinefrina, o glutamato e a serotonima, cada uma com sua função específica. A gaba, tem grande importância no controle de atividade excessiva, enquanto a dopamina atua no controle de ação, motivação, atenção e movimento, já a norepinefrina é responsável pela ativação do sistema nervoso central, melhorando o estado de alerta, concentração e vigilância, o glutamato age na neuroplasticidade cerebral, o que ajuda o cérebro a se adaptar e promover novas conexões neuronais, por fim, a serotonima controla a liberação de hormônios, regulação do sono e do apetite, quando ocorre alteração na sua quantidade interferem no humor, na aprendizagem, na ansiedade e no estado de depressão.

Segundo Amen (2013), se existir o estimulo entre esses neurônios, aumenta a relação entre eles, ocasionando melhor aprendizagem. Tal afirmação indica que seria interessante manter uma atividade continua com a finalidade de produção acentuada desses hormônios.

Infelizmente os exercícios físicos no âmbito escolar, especialmente nas aulas de Educação Física, ainda tem importância inferior a de matérias como Matemática e Português. Apesar de estudos reduzirem a distância entre mente e corpo, ainda nas escolas nos acostumamos a ver corpos parados e mentes sobrecarregadas com informações (CASTRO e NEGRÃO, 2014).

Desde a infância podemos nos beneficiar da prática de exercícios físicos, estimulando a melhor aprendizagem. Bucci (2014) fez um comparativo entre populações que iniciaram a prática de exercícios na infância, adolescência e vida adulta. De acordo com o autor, o estimulo desde os primeiros anos de vida traz consigo uma densa rede hormonal e consequentemente mais apoio para funções de memória e aprendizagem.

Pesquisas com ratos de laboratórios mostraram que o exercício gera novas células cerebrais nos lobos temporais (envolvidos com a memória) e no córtex pré-frontal (envolvido com o planejamento e o discernimento) (AMEN, 2013). O mesmo autor destaca a atividade aeróbia como a mais eficiente por aumentar a frequência sanguínea no cérebro em maior volume, recomendando 3 sessões semanais compostas por pelo menos 20 a 30 minutos.

Considerações

Estimular a prática de exercícios desde a infância é uma excelente medida tendo em vista o desenvolvimento motor e cognitivo da criança.

Mesmo sem a prática desde os primeiros anos de vida é possível se beneficiar com o exercício físico em todas as faixas etárias.

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