Quantidade de ingestão de carboidratos durante o exercício influência no desempenho de ciclistas?

Escrito pelo Prof. Esp e MBA Danilo Luiz Fambrini

O Ciclismo é um esporte no qual tem aumentado o número de praticantes ao longo dos anos, se tornando uma prática cada dia mais popular. Por se tratar de um exercício físico normalmente vinculado a longas distâncias, o consumo de carboidratos (CHO) é natural para a produção de energia adequada para a prática.

    Entre os benefícios da ingestão de CHO durante o exercício, encontramos na literatura a melhorar do desempenho no exercício (Smith et al, 2013; Smith et al, 2010), ampliação da capacidade de exercício (Galloway e Maughan, 2000; Watson, Shirreffs, Maughan, 2012).

    A utilização do carboidrato é pensado para atuar de muitas maneiras na melhoria do desempenho, como: poupadores de glicogênio muscular (Bjorkman, Sahlin, Hagenfeldt e Wahren, 1984; Stellingwerff et al., 2007), manutenção da concentração de glicose no sangue (Coyle, Coggan, Hemmert, Ivy, 1986); elevada taxa de oxidação exógena de CHO (Galloway, Wootton, Murphy, Maughan, 2001); regulação neural central e periférica (Carter, Jeukendrup e Jones, 2004; Chambers, Bridge e Jones, 2009; Nikolopoulos, Arkinstall, Hawley, 2004).

    Apesar de mencionados os benefícios da utilização do CHO como fonte de energia para atividades como o ciclismo, ainda existe enorme debate com relação a quantidade ideal para consumo nessas atividades. Diretrizes do ACSM tem mencionado valores de 30 a 60g por hora de atividade como sendo as ideais, mas será que é simples assim?

    Alguns estudos relataram melhorias significativas no desempenho com ingestões abaixo de 22g (Galloway Maughan, 2000; Moralez, Bethell, Maughan, 1996)  por hora e alta ingestão, em torno de 100g (Correll, Jeukendrup, 2008), destacando um impacto positivo mesmo utilizando valores fora dos padrões estipulados pelo ACSM.

    Dessa forma, Newell et al. (2015) produziram um estudo com ciclistas treinados a pelo menos 3 anos com o intuito de identificar a influência da quantidade de carboidrato ingerida sobre o desempenho desse grupo. Para tal estudo utilizaram quatro dias distintos de testes, sendo: um dia com teste sem carboidrato, um com 20g, outro com 39g e por fim 64g.

    Os autores identificaram em seus achados que a ingestão de 39 e 64g apresentaram melhoras significativas com relação ao tempo de execução da tarefa em comparação aos outros dois casos com menor ou nenhuma ingestão. Quando compararam o percentual de melhora de desempenho comparando 20, 39 e 64g com a não utilização de carboidratos, tiveram resultados semelhantes. Com relação a curva de potência, a ingestão de carboidratos, seja ele em qualquer quantidade apresentou melhores resultados, mostrando sua importância para atividades de maior duração.

    Os resultados encontrados tem certa relação com os achados de Smith (2013), onde destaca o intervalo de 40 a 80g de carboidrato (mais de uma fonte) como a medida ideal. No caso de Newell et al. (2015), foi utilizada apenas uma fonte de carboidrato o que diminui um pouco a média, enquadrando nos resultados. Watson et al. (2012) também relatou não haver diferenças na quantidade ingerida, sendo que ele comparou 31 e 46g.

    No entanto, estudos relatam que baixas dosagens de carboidratos podem trazer benefícios ao desempenho em exercícios com duração de até 3 horas, em geral, cerca até 15g (Galloway e Maughan, 2000; Karelis et al, 2010; Maughan et al, 1996; Murray, Seifert, Eddy, Paul, Halaby, 1989).

    Aparentemente, com doses acima de 40g, é variável a melhora de desempenho, pois, cada individuo tem um teto para melhoria, onde, excedendo esse valor, não existe alterações no seu desempenho e pode trazer algum desconforto gastrointestinal.

    O estudo de Newell et al. (2015) cita ter utilizado como base de escolha das quantias de carboidratos a tese de que a absorção máxima é de até 1g por minuto (Jeukendrup et al., 1999).

Considerações

    Aparentemente não existe diferença significativa no desempenho quando utilizamos qualquer medida em torno de 40 a 80g de carboidratos como fonte de energia.

    Para ciclistas, é interessante utilizar esse intervalo de ingestão sendo variável de acordo com relatos do atleta, qualquer desconforto gastrointestinal exige uma alteração nas medidas.

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