Exercícios em agachamento parcial são interessantes para a melhora da velocidade nos esportes?

Esporte tradicional em diversos países, o Futebol tem em algumas capacidades a essência de um bom desempenho, sendo como exemplos, a força, potência e resistência.  Correr é algo natural no Futebol, em especial, em momentos onde se exige explosão muscular como em sprints, saltos, divididas, disputas em velocidades e nos chutes (COMETTI et al., 2001). O bom resultado nesses momentos da partida são dependentes da aceleração, velocidade, boa execução e a capacidade de liberar energia (HOFF et al., 2002).

Mas como conseguir alcançar um desempenho desejável nessas características?

O Futebol envolve exercícios intermitentes de alta intensidade e sugere-se que uma alta potência anaeróbica é uma característica essencial para jogadores de Futebol de alto desempenho (AL-HAZAA et al., 2001; COMETTI et al., 2001).  Gall et al. (2010) menciona em sua obra que jogadores de alto nível competitivo apresentam pico de torque, sprints, saltos e potência anaeróbica superiores as de atletas amadores, reforçando a tese de que tais capacidades podem diferenciar os atletas.

Já Lehance et al. (2009) vai mais além, e destaca o trabalho dessas capacidades, em especial a potência anaeróbica, não só essencial para o desempenho, como um forte aliado à prevenção de lesões no esporte. Ramirez et al. (2015) levantam uma hipótese em seu artigo, onde destacam que não é necessário levar a musculatura ao seu limite para conseguir elevar a potência anaeróbia, e ainda acrescentam que essa sugestão é capaz de acentuar os efeitos benéficos do método na prevenção de lesões dos atletas.

Sendo o produto da força/velocidade, a potência muscular máxima é obtida pelos valores ótimos de potência e velocidade (VANDEWALLE et al., 1987).  No entanto, para se alcançar uma potência máxima, o atleta depende de uma série de fatores, tais como, temperatura da pele, frequência cardíaca, acumulação de lactato (TEMFEMO et al., 2011), bem como, a força, pois, o sujeito não pode ter um grande poder sem ter uma força adequada para poder usufruir ao seu máximo (CORMIE et al., 2011), e a velocidade que também está relacionada com a liberação da potência.

Mas como conseguir aperfeiçoar as características do Futebol?

Foram investigados os efeitos dos métodos de treinamento de velocidade (Jovanovic et al., 2011), e parece ser uma forma eficaz de melhorar  alguns segmentos do desempenho de força em jogadores de futebol. No entanto, não está claro que o treinamento de velocidade é mais eficaz do que treinamento de força (WENZEL & PERFETTO, 1992). Kotzamanidis et al. (2005), menciona que a utilização combinada de treinamentos de força, resistência e velocidade são mais eficientes que a utilização continua de treinamentos de velocidade específicos.

Ramirez et al. (2015), utilizaram um protocolo de 10 semanas de treinamento com duas sessões semanais utilizando o agachamento parcial (ou “semi-agachamento” ou “meio agachamento”, dependente da nomenclatura) como exercício em séries que chegavam de 10 a 25 repetições utilizando 65% de 1RM em velocidade elevada, visando o aumento da potência anaeróbica. As variáveis avaliadas foram: número de repetições, potência relativa nas repetições, potência absoluta, velocidade e força de saída. Os autores encontraram melhorias de 18,6% no número de repetições realizadas, 8,2% na potência relativa as repetições, 4,0% na força de saída, 12,6% na potência absoluta e 12,5% na velocidade.

Considerando os achados acima citados, que corroboram com os dados encontrados por Jovanovic et al. (2011), aparentemente o treinamento de velocidade com características de treinamento de força aparentam ser muito interessantes para o aumento da velocidades de atletas, bem como, o aumento de força dos mesmos.

Uma curiosidade citada por Earles et al. (2000) é o fato de que tem sido observada uma melhoria substancial de força de membros inferiores em idosos saudáveis com a utilização de exercícios priorizando a velocidade no movimento.

 

Considerações

Os resultados mencionados nesta publicação são interessantes para quem visa o aumento do desempenho na velocidade e sprints dos jogadores de futebol e porque não, de outros atletas que necessitam que tal capacidade esteja apurada.

 

 

Referências

  • Cometti, G, Maffiuletti, NA, Pousson, M, Chatard, JC, and Maffulli, N. Isokinetic strength and anaerobic power of elite, subelite and amateur french soccer players. Int J Sports Med 22: 45–51, 2001.
  • Hoff, J, Wisloff, U, Engen, LC, Kemi, O, and Hegerud, J. Soccer specific aerobic endurance training. Br J Sports Med 36: 218–221, 2002.
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  • Gall, F, Carling, C, Williams, M, and Reilly, T. Anthropometric and fitness characteristics of international, professional and amateur male graduate soccer players from an elite youth academy. J Sci Med Sport 13: 90–95, 2010.
  • Lehance, C, Binet, J, Bury, T, and Croisier, JL. Muscular strength, functional performances and injury risk in professional and junior elite soccer players. Scand J Med Sci Sports 19: 243–251, 2009.
  • Ramirez J.M., Nunez V.M., Lancho, C., Poblador, M.S., Lancho J.L. Velocity-based training of lower limb to improve absolute and relative power outputs in concentric phase of half-squat in soccer players. Journal of Strength and Conditioning Research. 29(11)/3084–3088, 2015.
  • Vandewalle, H, Peres, G, Heller, J, Panel, J, and Monod, H. Forcevelocity relationship and maximal power on a cycle ergometer: Correlation with the height of a vertical jump. Eur J Appl Physiol Occup Physiol 56: 650–656, 1987.
  • Temfemo, A, Carling, C, and Ahmaidi, S. Relationship between power output, lactate, skin temperature, and muscle activity during brief repeated exercises with increasing intensity. J Strength Cond Res 25: 915–921, 2011.
  • Cormie, P, McGuigan, MR, and Newton, RU. Developing maximal Neuromuscular power: Part 2-Training Considerations for improving maximal power production. Sports Med 41: 125–146, 2011.
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  • Wenzel, RR and Perfetto, EM. The effect of speed versus non-speed training in power development. J Strength Cond Res 6: 82–87, 1992.
  • Kotzamanidis, C, Chatzopoulos, D, Michailidis, C, Papaiakovou, G, and Patikas, D. The effect of a combined high-intensity strength and speed training program on the running and jumping ability of soccer players. J Strength Cond Res 19: 369–375, 2005.
  • Earles, DR, Judge, JO, and Gunnarsson, OT. Velocity training induces power-specific adaptations in highly functioning older adults. Arch Phys Med Rehabil 82: 872–878, 2000.

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